A mais Preciosa Mercadoria


Ano: 2024

Direção: Michel Hazanaviciusy

País: França, Bélgica,

Prêmio: festival de Cannes 2024, seleção oficial.









     Filme nos conta a história de um lenhador e sua mulher que moram em uma floresta, longe de tudo, onde o único movimento é o passar constante de comboios. Comboios que dizem , de mercadorias.  Lugar inóspito, a lenhadora assiste o passar do semovente na esperança que caia alguma mercadoria.

    Um dia, a lenhadora está vendo o comboio passar e ouve um choro de criança. O bebê cai do comboio. E é como um presente , dos deuses do comboio. Ela encontra um bebê bem cuidado e envolto em um xale caro. O leva pra casa. Seu marido, não quer o bebê e acha que ele vai morrer. Afinal o bebê deles não sobreviveu. Eles não tem leite pra dar pra criança. Vivem com

 quase nada, o frio e a fome torna a vida deles muito difícil. É época de guerra. 

     Ela consegue negociar com um vizinho que tem uma cabra, uma porção de leite diária por lenha e pelo xale. E, assim o bebê sobrevive.  

     Porém , nessa comunidade, acreditam que as pessoas do comboio são seres sem coração . E é preciso ter cuidado com eles. O bebê que veio do comboio também faz parte dos seres sem coração. E o lenhador o rejeita . Porque cuidar de um ser sem coração?  Dar amor e cuidado pra quem nunca vai reconhecer essa doação? A mulher porém, desconstrói essa ideia fazendo o marido sentir o pulsar do coração da menina encontrada. Ela tem coração e ele bate. Nesse momento, o coração empedrecido do lenhador pela vida quase cruel , de falta, de frio, de solidão, começa a pulsar também. E em tudo que toca ele sente o próprio coração voltando a querer amar. A partir disso o choro insuportável e o ciúmes que sentia da esposa, que o levou a expulsa-la de casa com o bebê, se acalmou. Nasceu o pai que ele relutou pra ser, mas que sempre esteve nele. A vida se abrandou, a dureza , aplacou. Todo amor abafado pelo filho que se foi, ressurge. 

    O clima que o cerca é de guerra, de ódio. Principalmente contra os seres do comboio, os ditos, sem coração.  Esses têm de ser eliminados, são perigosos e inferiores.  Numa eclosão de amor, pela verdade e pelo justo, o lenhador grita aos 4 ventos, contrariando o pensamento dos outros lenhadores ,que os seres sem coração têm coração. O que significa que são humanos como eles próprios. E como eles podem amar e podem ser amados. 

      Esse ato de explosão pela verdade chama atenção de um dos lenhadores que, desconfiado, vai atrás da esposa e descobre o bebê. Mais tarde vai armado à casa deles para matar o bebê. O lenhador pai defende o bebê e mata os três homens que foram à sua casa mas, acaba por levar um tiro no coração. Interessante ser no coração. Seu problema era o coração. Coração que enxergava a injustiça e a dor causada nas pessoas em nome da falta deste. Uma mentira inventada para justificar o ódio, a crueldade, a desumanidade contra outro ser humano.

      Finalmente vemos que a mercadoria do comboio eram as pessoas que iam para os campos de concentração. Em um ímpeto o pai  tenta salvar sua filha mais nova jogando-a da janela do comboio.  Mas só depois de muito tempo consegue, vendo-a na capa de um jornal, saber que sobreviveu.  Apesar da situação de guerra e perseguição o destino dos pais é esse. Coloca os filhos no mundo sem saber se sobreviverão e quem se tornarão. Se terão ou não, coração. 


     


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